Cifose: o que é, causas, sintomas e tratamento
Cifose é o arredondamento acentuado das costas na altura do peito, além do que é considerado normal.
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O que é
A cifose é a curvatura da coluna torácica voltada para trás, a convexidade que dá o arredondado natural das costas na altura do peito. Toda coluna tem cifose torácica; o problema começa quando essa curva ultrapassa cerca de 40 a 45 graus, medidos pelo método de Cobb em raio-X de perfil. Acima disso, fala-se em hipercifose, popularmente chamada de corcunda.
Diferente da escoliose, que é um desvio lateral, a cifose acontece no plano sagital, de lado. Pode ser flexível, quando o paciente consegue corrigir parcialmente a postura de forma voluntária, ou rígida, quando a curva está estruturalmente fixada nas vértebras e não cede ao esforço consciente.
Vale diferenciar também a cifose torácica, o achado mais comum e discutido nesta página, de uma eventual retificação ou inversão da curva lombar, que é bem menos frequente e costuma merecer investigação separada, já que a lombar deveria manter lordose, e não cifose.
Por que acontece
A causa mais comum em adolescentes é a doença de Scheuermann, uma alteração no crescimento das vértebras torácicas que faz com que elas assumam formato de cunha, mais estreitas na frente que atrás. Isso cria uma curva rígida, geralmente diagnosticada entre 12 e 16 anos.
Em adultos, sobretudo pessoas mais velhas, a cifose costuma resultar do desgaste dos discos intervertebrais somado à perda de massa óssea. A osteoporose é protagonista aqui: microfraturas por compressão nos corpos vertebrais, muitas vezes silenciosas, vão inclinando a coluna para frente ao longo dos anos. Postura também entra na equação, especialmente em quem passa longas horas sentado com os ombros projetados para frente, embora a postura isolada raramente cause uma cifose estrutural significativa.
Como se manifesta
O sinal mais visível é o arredondamento excessivo das costas, às vezes acompanhado de ombros que parecem cair para frente e cabeça projetada à frente do tronco. A dor, quando presente, costuma ser um cansaço muscular entre as escápulas, que piora ao final do dia ou após ficar muito tempo em pé.
Em casos mais avançados, a compressão da caixa torácica pode reduzir a capacidade pulmonar, e a curva acentuada pode dificultar a visão do horizonte quando a pessoa está em pé, obrigando a estender o pescoço para compensar.
Diagnóstico
O exame começa observando o paciente de perfil, em pé e ao se curvar para frente. O raio-X de coluna torácica em perfil, com o paciente em pé, confirma o grau da curva e permite calcular o ângulo de Cobb. Em adultos com suspeita de fraturas por compressão, a densitometria óssea ajuda a avaliar se a osteoporose está contribuindo para o quadro. Ressonância magnética entra quando há sintomas neurológicos associados, como formigamento ou fraqueza nas pernas, o que é raro mas pode indicar compressão da medula espinhal.
Um teste simples de flexibilidade ajuda a diferenciar as duas formas mais comuns: ao deitar de bruços com um apoio sob o tórax, ou ao tentar estender ativamente a coluna, a cifose postural costuma reduzir de forma evidente, enquanto a cifose estrutural da doença de Scheuermann, presa pelo formato em cunha das vértebras, muda pouco ou nada com essa manobra.
Tratamento
Na doença de Scheuermann diagnosticada durante o crescimento, o colete ortopédico pode ser indicado para curvas moderadas, com bom potencial de resultado justamente porque o esqueleto ainda está em formação. Fisioterapia com foco em fortalecimento da musculatura extensora das costas e alongamento peitoral ajuda a reduzir a sobrecarga sobre a coluna, embora não reverta a estrutura óssea já formada.
Em adultos, o tratamento da causa de base costuma vir primeiro: tratar a osteoporose com medicação específica reduz o risco de novas fraturas por compressão que agravariam a curva. A cirurgia, com instrumentação e fusão vertebral, fica reservada para curvas muito acentuadas, dor incapacitante ou comprometimento respiratório e neurológico. Curvas acima de 75 a 80 graus, especialmente quando ainda progridem em paciente com crescimento restante, entram nessa discussão com mais frequência, e o objetivo cirúrgico é reduzir a curva a um patamar mais funcional, não eliminá-la por completo.
Quando procurar avaliação
Cifose que progride visivelmente em poucos meses, dor torácica associada à curva, perda de altura acentuada em pessoas mais velhas, ou qualquer sintoma neurológico como formigamento, fraqueza ou alteração no controle de esfíncteres merecem avaliação médica sem demora. Em adolescentes, o acompanhamento regular durante o estirão de crescimento é a forma mais eficaz de decidir, no momento certo, se o colete é necessário.
Resumo da condição
Sintomas frequentes
- Arredondamento visível das costas
- Ombros projetados para frente
- Cansaço muscular entre as escápulas
- Dificuldade de ficar ereto ao final do dia
O que costuma causar
- Doença de Scheuermann em adolescentes
- Osteoporose com fraturas por compressão em idosos
- Degeneração discal torácica
- Hábito postural, raramente causa isolada de cifose estrutural
Exames usados
- Avaliação postural de perfil
- Raio-X de coluna torácica em perfil, com paciente em pé
- Densitometria óssea em adultos com suspeita de osteoporose
Caminhos de tratamento
- Fisioterapia com fortalecimento extensor e alongamento peitoral
- Colete ortopédico na doença de Scheuermann em crescimento
- Tratamento medicamentoso da osteoporose de base
- Cirurgia em curvas acentuadas com dor ou comprometimento respiratório
Perguntas frequentes
Cifose postural tem cura?
Sim, quando é flexível e não estrutural, geralmente melhora com fisioterapia e fortalecimento muscular, sem necessidade de colete ou cirurgia.
Cifose de Scheuermann sempre precisa de colete?
Não. O colete costuma ser indicado apenas em curvas moderadas, enquanto o paciente ainda tem crescimento ósseo pela frente. Curvas leves são acompanhadas sem colete.
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Referências
- Kyphosis. AAOS OrthoInfo, 2021.
- Osteoporotic vertebral compression fractures. UpToDate, 2023.
- Scoliosis Research Society - Kyphosis. Scoliosis Research Society (SRS), 2022.
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