Abaulamento discal: o que significa no laudo da ressonância
Abaulamento discal é quando o disco entre duas vértebras perde um pouco da forma normal e se estende levemente para fora, ao longo de toda a sua borda, sem se romper.
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Abaulamento discal difuso em L4-L5, sem compressão radicular evidente.
- O que significa
- O disco funciona como um amortecedor entre as vértebras e, com o tempo, perde água e elasticidade. Isso faz com que ele se acomode e se espalhe um pouco além do espaço original, como um balão de água apoiado sobre uma mesa. É diferente de uma hérnia: aqui a parede externa do disco continua inteira, só o formato mudou. Na classificação de Fardon et al. (2014), abaulamento nem entra na categoria de hérnia de disco.
- Pode dar sintomas?
- Na maioria das vezes, não. Brinjikji et al. (2015) encontraram abaulamento discal em 30% das pessoas de 20 anos e em 84% das de 80 anos que nunca sentiram dor nas costas. Quando causa sintomas, costuma ser porque reduziu espaço para uma raiz nervosa ou para o canal vertebral, algo que o laudo descreve à parte.
- Quando procurar um médico
- Se o achado é isolado e você já está em acompanhamento, normalmente não exige pressa. Procure avaliação se sentir dor irradiando para a perna ou o braço, formigamento, fraqueza ou alteração no controle de urina ou fezes. Quem decide se o abaulamento explica seus sintomas é o médico que te examinou, não o laudo sozinho.
Também aparece como: bulging discal, disco abaulado, abaulamento discal difuso.
O que o disco faz e por que ele abaula
O disco fica entre duas vértebras e funciona como um amortecedor cheio de gel. Com os anos, ele perde água, fica um pouco mais baixo e menos elástico. Quando isso acontece, a borda tende a se espalhar para além do espaço entre as vértebras, de forma uniforme, ao longo de todo o contorno. É como um balão de água apoiado sobre uma mesa: ele não estoura, só se acomoda e alarga a base.
Na classificação usada por radiologistas no mundo todo, a de Fardon et al. (2014, The Spine Journal), abaulamento discal nem entra na categoria de hérnia. A diferença é geométrica. No abaulamento, mais da metade da circunferência do disco está envolvida e o anel fibroso, a parede externa, permanece intacto. Numa hérnia, seja protrusão, extrusão ou sequestro, uma parte localizada do disco rompe essa parede e se projeta para fora, ocupando uma fração bem menor do contorno.
Isso é normal na sua idade?
Bastante. O maior levantamento sobre o assunto, conduzido por Brinjikji et al. (2015) e publicado na American Journal of Neuroradiology, reuniu ressonâncias de milhares de pessoas sem nenhuma dor nas costas. Entre elas, 30% dos adultos de 20 anos já tinham abaulamento discal em algum nível da coluna. Aos 50 anos, a proporção passa de 60%. Aos 80, chega a 84%. Ter abaulamento discal na sua faixa etária é, estatisticamente, mais comum do que não ter.
Isso não torna o achado irrelevante para todo mundo. Significa apenas que, sozinho, ele não define se você tem dor ou não.
Quando o abaulamento incomoda
O abaulamento raramente comprime uma raiz nervosa, porque se distribui por toda a borda do disco em vez de empurrar um ponto específico. Ele ganha relevância quando se soma a outros fatores no mesmo nível da coluna, como um canal vertebral já estreito por artrose das facetas, osteófitos nas bordas das vértebras ou um foramen (o túnel por onde o nervo sai) reduzido. O laudo costuma descrever isso à parte, com termos como “redução dos neuroforames” ou “compressão do saco dural”. Se o seu exame cita só o abaulamento e nada mais no mesmo nível, a chance de ele estar causando sintomas é baixa.
As palavras que costumam vir junto
É comum o laudo qualificar o abaulamento como “difuso”, “circunferencial” ou, às vezes, “assimétrico”. Difuso e circunferencial querem dizer a mesma coisa: o disco se espalhou de forma relativamente uniforme por toda a borda, sem um ponto que se destaque muito mais que o resto. Assimétrico indica que um lado, direito ou esquerdo, está um pouco mais espalhado que o outro, ainda dentro do conceito de abaulamento, sem virar uma protrusão focal. Essas variações raramente mudam a conduta médica sozinhas, mas ajudam o radiologista a descrever a anatomia com precisão para quem for comparar exames futuros.
O que fazer com esse resultado
Leve o laudo ao médico que pediu o exame, não o contrário. A imagem mostra a anatomia, mas quem cruza isso com o seu histórico, o exame físico e a localização exata da dor é quem consegue dizer se o abaulamento tem relação com o que você sente. Procure atendimento com mais urgência se, além da dor, você notar formigamento ou fraqueza numa perna ou braço, dor que piora deitado à noite, ou qualquer alteração no controle da bexiga ou do intestino. Fora esses sinais, um abaulamento discal isolado costuma pedir tratamento conservador, não alarme.
Perguntas frequentes
Abaulamento discal é hérnia de disco?
Não, tecnicamente não. Na hérnia, uma parte do núcleo do disco rompe a parede externa e sai do lugar. No abaulamento, a parede permanece intacta e o disco todo se estende de forma mais uniforme. São achados do mesmo espectro de desgaste, mas classificados de formas diferentes.
Abaulamento discal tem cura?
O disco não volta a ter a forma de um disco jovem, porque essa mudança faz parte do envelhecimento natural da coluna. Isso não significa que a dor, quando existe, seja permanente: ela costuma melhorar com tratamento conservador, independentemente do formato registrado na imagem.
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Referências
- Lumbar Disc Nomenclature: Version 2.0. The Spine Journal, 2014.
- Systematic Literature Review of Imaging Features of Spinal Degeneration in Asymptomatic Populations. American Journal of Neuroradiology, 2015.
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