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Conteúdo informativo. Não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico.

Termo do laudo

Protrusão discal: o que significa no laudo da ressonância

Protrusão discal é um tipo de hérnia de disco em que uma parte pequena e localizada do disco se projeta para fora, com a base de saída igual ou mais larga que a ponta que se projetou.

Revisado em Como produzimos o conteúdo

Disco intervertebral visto de cima, com camadas concêntricas e núcleo luminoso
Este termo fala do disco intervertebral
Depende do contexto
Como costuma aparecer escrito
Protrusão discal focal póstero-lateral esquerda em L5-S1, em contato com a raiz nervosa.
O que significa
Diferente do abaulamento, que envolve toda a borda do disco, a protrusão é localizada: menos de um quarto da circunferência está envolvido. Na nomenclatura de Fardon et al. (2014), o que separa protrusão de extrusão é a geometria. Na protrusão, a base por onde o material sai é igual ou mais larga que a parte que se projetou, como o bico de uma mamadeira. É a hérnia mais discreta das três possíveis: protrusão, extrusão e sequestro.
Pode dar sintomas?
Pode, mas nem sempre. Brinjikji et al. (2015) encontraram protrusão discal em 29% das pessoas de 20 anos e em 43% das de 80 anos sem nenhuma dor nas costas. O que determina o sintoma não é só a protrusão existir, é se ela toca ou empurra uma raiz nervosa específica, e o quanto.
Quando procurar um médico
Procure avaliação se a protrusão vier junto com dor irradiando para a perna ou o braço, formigamento, dormência ou perda de força. Se o laudo menciona contato com a raiz nervosa, vale conversar com o médico, mesmo que a cirurgia não esteja no horizonte na maioria dos casos.

Também aparece como: hérnia discal protrusa, protrusão focal, disco protruso.

A diferença entre abaulamento e protrusão

Pense no disco como um pneu. No abaulamento, o pneu inteiro está um pouco murcho e estufado por igual em toda a volta. Na protrusão, existe um ponto fraco na banda de rodagem por onde uma parte do miolo empurra para fora, formando uma saliência localizada. Essa saliência tem uma base de saída (o “colo”) que é igual ou mais larga que a ponta que se projetou para dentro do canal vertebral.

É essa relação entre a base e a ponta que separa protrusão de extrusão na classificação de Fardon et al. (2014, The Spine Journal), hoje o padrão usado por radiologistas para descrever hérnias de disco. Quando a ponta fica mais larga que a base, ou o material perde a conexão com o disco de origem, o achado já é chamado de extrusão, não mais de protrusão.

Por que ela aparece tanto em ressonâncias

Protrusão discal não é rara, nem em gente sem queixa nenhuma. No estudo de Brinjikji et al. (2015), que reuniu exames de pessoas assintomáticas, quase 3 em cada 10 adultos de 20 anos já tinham protrusão em algum nível da coluna. Esse número sobe de forma constante com a idade e chega perto de 43% aos 80 anos. O disco muda de comportamento ao longo da vida, perde parte da capacidade de reter água e fica mais suscetível a pequenas fissuras no anel fibroso, e é por essas fissuras que o material do núcleo consegue empurrar para fora.

Quando a protrusão explica a dor

O detalhe que mais importa no laudo não é o tamanho da protrusão, é a relação dela com as estruturas ao redor. Frases como “em contato com a raiz nervosa”, “toca o saco dural” ou “reduz o recesso lateral” indicam que existe alguma interação mecânica com o tecido neural, o que aumenta a chance de o achado ter relação com dor irradiada, formigamento ou fraqueza numa perna. Já uma protrusão pequena, sem contato descrito com nenhuma estrutura nervosa, costuma ser um achado incidental, sobretudo se você não tem sintomas nesse membro.

O tamanho no laudo diz menos do que parece

É natural querer comparar o tamanho da protrusão em milímetros com algum padrão de gravidade, mas essa comparação isolada engana. Uma protrusão de 3 milímetros bem posicionada, longe de qualquer raiz nervosa, pode ser totalmente silenciosa, enquanto uma protrusão menor, situada exatamente no ponto onde o nervo passa, já produz sintoma. O que orienta a gravidade clínica é a relação espacial entre a protrusão e as estruturas nervosas ao redor, não apenas a medida absoluta. Por isso, dois laudos com números parecidos podem representar situações bem diferentes na prática, e cabe ao médico interpretar isso junto com o exame físico.

E agora, o que fazer

Um laudo com protrusão discal não é, isoladamente, motivo de pânico nem indicação automática de cirurgia. A avaliação clínica, o exame físico e a evolução dos sintomas ao longo de algumas semanas pesam mais do que a imagem sozinha. Vale buscar atendimento sem demora se a dor vier acompanhada de fraqueza progressiva numa perna, perda de sensibilidade na região genital ou dificuldade para controlar a bexiga ou o intestino. Fora esses sinais, o caminho inicial na maioria dos serviços é o tratamento conservador, com reavaliação se não houver melhora.

Perguntas frequentes

Protrusão discal é a mesma coisa que hérnia de disco?

Sim, é um subtipo de hérnia, o mais leve dos três. Hérnia de disco é o nome geral usado quando o material do núcleo rompe o anel externo e se projeta para fora; protrusão, extrusão e sequestro descrevem o quanto e de que jeito isso aconteceu.

Protrusão discal precisa de cirurgia?

Na maioria dos casos, não. Boa parte das protrusões melhora com fisioterapia, analgesia orientada por médico e o próprio tempo, porque o corpo tende a reabsorver parte do material herniado aos poucos. Cirurgia costuma entrar em cena quando há déficit neurológico progressivo ou dor incapacitante que não responde ao tratamento conservador.

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Referências

  1. Lumbar Disc Nomenclature: Version 2.0. The Spine Journal, 2014.
  2. Systematic Literature Review of Imaging Features of Spinal Degeneration in Asymptomatic Populations. American Journal of Neuroradiology, 2015.
  3. Magnetic Resonance Imaging of the Lumbar Spine in People without Back Pain. New England Journal of Medicine, 1994.
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