Fissura anular: o que significa no laudo da ressonância
Fissura anular é uma pequena rachadura na parede externa do disco, o anel fibroso, que normalmente segura o núcleo gelatinoso no lugar.
Revisado em Como produzimos o conteúdo

Fissura anular posterior no disco L4-L5, com hipersinal em T2, sem extravasamento do núcleo pulposo.
- O que significa
- O anel fibroso é formado por várias camadas de fibras dispostas como as lâminas de um pneu radial. Com o desgaste, pequenas rupturas podem surgir entre essas camadas, geralmente na parte de trás do disco, onde a pressão mecânica é maior. Quando a fissura aparece brilhante em sequências T2 da ressonância, o radiologista costuma chamar isso de 'zona de alto sinal', um sinal de que ali pode haver inflamação local, não necessariamente dor.
- Pode dar sintomas?
- Às vezes, mas é comum encontrar fissuras em pessoas completamente assintomáticas. Brinjikji et al. (2015) relataram fissura anular em 19% dos adultos de 20 anos e em 29% dos de 80 anos sem dor nas costas. Quando dá sintomas, costuma ser uma dor localizada na lombar, que piora ao sentar ou se curvar para frente, diferente da dor irradiada típica de hérnia com compressão nervosa.
- Quando procurar um médico
- Procure avaliação se a dor lombar for persistente, limitar suas atividades do dia a dia, ou vier acompanhada de dor irradiando para a perna. Uma fissura anular isolada, sem outros achados relevantes no mesmo nível, raramente é motivo de urgência.
Também aparece como: ruptura anular, fissura do anel fibroso, zona de alto sinal.
O que é essa rachadura
O disco intervertebral tem duas partes: um núcleo gelatinoso no meio e um anel de fibras resistentes ao redor, o anel fibroso, que segura esse núcleo no lugar. A fissura anular é uma pequena ruptura entre as camadas desse anel, parecida com uma rachadura fina num pneu que ainda segura o ar. Ela costuma surgir na parte posterior do disco, onde o movimento de flexão da coluna concentra mais estresse mecânico ao longo dos anos.
Isso é diferente de uma hérnia. Na fissura, o material do núcleo ainda está contido dentro do anel. Só quando esse material atravessa a rachadura e forma uma saliência para fora é que o laudo passa a descrever protrusão, extrusão ou sequestro, seguindo a classificação de Fardon et al. (2014, The Spine Journal).
Por que aparece tanta gente com esse achado
Fissuras anulares fazem parte do processo natural de envelhecimento do disco. No estudo de Brinjikji et al. (2015), que analisou ressonâncias de pessoas sem dor nenhuma, quase 1 em cada 5 adultos de 20 anos já tinha fissura anular em algum nível da coluna, e essa proporção sobe de forma gradual até quase 3 em cada 10 aos 80 anos. É um achado que caminha junto com a perda de água do disco, um processo chamado desidratação discal, que também é esperado com a idade.
Por que às vezes dói
A parte externa do anel fibroso tem terminações nervosas, diferente do núcleo no centro do disco, que não tem. Quando a fissura chega perto dessas terminações e provoca uma resposta inflamatória local, isso pode gerar dor lombar mesmo sem nenhum material ter saído do disco. É por isso que o laudo às vezes menciona “zona de alto sinal” ou “hipersinal em T2” junto com a fissura: essa marca clara na imagem sugere uma área com mais líquido e possível inflamação recente. Uma fissura antiga, sem esse sinal, tende a ser mais silenciosa.
Fissura radial, concêntrica ou transversal
Alguns laudos mais detalhados classificam a fissura pelo padrão que ela desenha dentro do anel fibroso. A radial atravessa as camadas de fora para dentro, na direção mais associada a permitir que material do núcleo escape e forme uma hérnia. A concêntrica corre entre as camadas, paralela a elas, sem atravessar de um lado ao outro. A transversal é mais curta e costuma ficar na periferia do disco. Essa classificação interessa mais ao radiologista e ao cirurgião do que à decisão inicial de tratamento, já que a conduta clínica, na maioria dos casos, é a mesma independentemente do padrão exato descrito.
O que fazer com esse achado
Uma fissura anular isolada, sem hérnia associada e sem compressão de raiz nervosa, geralmente não muda a conduta médica de forma significativa. O tratamento inicial costuma ser conservador: controle da dor orientado por médico, fisioterapia e ajuste temporário de atividades que sobrecarregam a lombar. Procure reavaliação se a dor persistir por várias semanas sem melhora, ou se surgir irradiação para a perna, o que sugeriria um problema além da fissura em si.
Perguntas frequentes
Fissura anular é o mesmo que hérnia de disco?
Não. A fissura é uma rachadura na parede do disco sem que o material do núcleo tenha se deslocado para fora dela. Quando esse material escapa pela fissura, aí sim o achado passa a ser classificado como protrusão, extrusão ou sequestro, dependendo da forma que assume.
Fissura anular sempre dói?
Não, a maioria não dói. Só uma parcela das fissuras, geralmente as mais recentes ou localizadas na parte de trás do disco perto de terminações nervosas, chega a gerar dor. Uma fissura antiga e estável costuma ser um achado silencioso.
Continue por aqui
- Termo do laudoAbaulamento discal: o que significa no laudo da ressonânciaAbaulamento discal é um achado comum de desgaste, presente em boa parte das ressonâncias de gente sem dor nenhuma. Veja o que o laudo quer dizer.
- Termo do laudoDesidratação discal: o que significa no laudo da ressonânciaDesidratação discal é o disco perdendo água com o tempo, parte normal do envelhecimento da coluna. Veja o que o laudo quer dizer com esse termo.
- CondiçãoDegeneração discal: o que é e o que o laudo realmente significaDegeneração discal é o desgaste natural do disco intervertebral. Veja por que é tão comum em exames de pessoas sem dor nenhuma.
Referências
- Systematic Literature Review of Imaging Features of Spinal Degeneration in Asymptomatic Populations. American Journal of Neuroradiology, 2015.
- Lumbar Disc Nomenclature: Version 2.0. The Spine Journal, 2014.
- Última revisão
- Revisão editorial
- Equipe editorial Minha Coluna
- Como trabalhamos
- Política editorial
