Pular para o conteúdo
Minha Coluna

Conteúdo informativo. Não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico.

Exame

Exames de sangue na dor nas costas: quando são pedidos

Os exames de sangue não mostram a estrutura da coluna. Servem para investigar sinais de infecção, doença inflamatória ou câncer quando a história clínica levanta essa suspeita, nunca para explicar uma dor lombar mecânica comum.

Revisado em Como produzimos o conteúdo

Três tubos de laboratório de vidro fosco com líquido levemente luminoso
Para que serve
Os exames de sangue não mostram a estrutura da coluna. Servem para investigar sinais de infecção, doença inflamatória ou câncer quando a história clínica levanta essa suspeita, nunca para explicar uma dor lombar mecânica comum.
Como é feito
É uma coleta de sangue comum, feita numa veia do braço, sem preparo especial na maioria dos casos. Dependendo da suspeita clínica, o médico pode pedir hemograma, VHS, PCR ou o exame HLA-B27, entre outros, cada um respondendo a uma pergunta diferente.
Duração
5 a 10 minutos para a coleta; o resultado sai em horas ou poucos dias, dependendo do exame
Precisa de contraste?
Não. Exames de sangue não usam contraste.

Para que serve o exame de sangue na investigação da coluna

A primeira coisa a entender é o que o exame de sangue não faz: ele não mostra a coluna. Não vê disco, não vê nervo comprimido, não vê estreitamento do canal vertebral. Uma dor lombar mecânica comum, aquela que surge depois de esforço, piora com movimento e melhora com repouso, não tem nenhum marcador no sangue capaz de confirmá-la ou afastá-la.

O papel do exame de sangue é outro: rastrear sinais indiretos de que a causa da dor pode não ser mecânica, e sim inflamatória, infecciosa ou, mais raramente, relacionada a um câncer. Isso muda completamente quando ele deve ser pedido, e explica por que dois pacientes com a mesma queixa de dor lombar podem sair da consulta com pedidos completamente diferentes.

Quais exames costumam ser solicitados

O hemograma avalia as células do sangue e pode sugerir infecção ou outras alterações sistêmicas. A velocidade de hemossedimentação, o VHS, e a proteína C-reativa, o PCR, são marcadores inespecíficos de inflamação: sobem em infecções, em doenças inflamatórias e, às vezes, em outras condições sem relação nenhuma com a coluna. Nenhum dos dois diz onde está o problema, apenas que existe algum processo inflamatório ativo em algum lugar do corpo.

O HLA-B27 é diferente: é um exame genético, que identifica a presença de um marcador associado a um grupo de doenças chamadas espondiloartrites, entre elas a espondiloartrite axial, que costuma causar dor lombar inflamatória em pessoas mais jovens, com rigidez matinal prolongada.

Como é feito, na prática

É uma coleta de sangue comum, numa veia do braço, feita em poucos minutos, sem preparo especial na maioria dos casos. O resultado do hemograma, do VHS e do PCR costuma sair em algumas horas ou no dia seguinte. O HLA-B27 é um exame mais específico, processado em laboratórios especializados, e pode levar alguns dias a mais.

Quando esses exames são realmente pedidos

A indicação nasce da suspeita clínica, não da dor em si. Febre associada à dor na coluna, perda de peso sem explicação, história de câncer, uso de drogas injetáveis, imunossupressão ou infecção recente levantam a hipótese de infecção óssea ou discite, e nesses casos hemograma, VHS e PCR ajudam a apoiar ou afastar essa suspeita. Dor lombar que começa antes dos 40 anos, piora com repouso e à noite, melhora com movimento e vem acompanhada de rigidez matinal que dura mais de trinta minutos sugere um padrão inflamatório, e é nesse contexto que o HLA-B27 entra na investigação, ao lado do exame físico e, geralmente, de uma ressonância da articulação sacroilíaca.

Quando eles não têm indicação nenhuma

Na dor lombar mecânica comum, sem nenhum desses sinais, pedir exame de sangue não muda a conduta e não deveria fazer parte da investigação inicial. Isso vale tanto para o hemograma de rotina quanto, principalmente, para o HLA-B27, que às vezes é pedido fora de contexto na esperança de descartar alguma coisa e acaba gerando mais confusão do que esclarecimento.

O motivo é simples: o HLA-B27 está presente numa fração relevante da população geral que nunca desenvolve espondiloartrite, com uma frequência que varia bastante conforme a origem étnica do grupo estudado. Um resultado positivo, isolado, em alguém sem sintomas sugestivos, não indica doença. Um resultado negativo também não descarta espondiloartrite em quem já tem um quadro clínico compatível, porque uma parte dos pacientes com a doença não carrega o marcador. Ele é uma peça do quebra-cabeça, útil quando encaixado junto com sintomas e imagem, e enganoso quando interpretado sozinho.

Por isso pedir HLA-B27 como parte de uma bateria genérica de exames, sem que a história clínica aponte para um padrão inflamatório de dor, tende a criar mais dúvida do que resposta. O exame certo, pedido na hora certa, depende sempre da pergunta clínica que motivou a investigação, nunca do impulso de checar tudo de uma vez.

O que esse exame mostra, e o que não mostra

Mostra bem

  • Sinais indiretos de inflamação no corpo, como VHS e PCR elevados
  • Sinais sugestivos de infecção, como alterações no hemograma
  • Predisposição genética à espondiloartrite axial, no caso do HLA-B27

Não mostra

  • Não mostra dor. Nenhum exame mostra.
  • Não mostra hérnia de disco, estenose ou qualquer alteração estrutural da coluna
  • Não fecha diagnóstico sozinho: um resultado alterado, ou um HLA-B27 positivo, precisa ser interpretado junto com a clínica

Contraindicações e cuidados

  • Nenhuma contraindicação relevante para a coleta em si, além dos cuidados usuais em distúrbios de coagulação graves

Perguntas frequentes

Preciso fazer exame de sangue para dor lombar comum?

Não. Na dor lombar mecânica, aquela que piora com movimento e melhora com repouso, sem febre, sem perda de peso e sem outros sinais de alerta, os exames de sangue não ajudam a explicar nem a tratar o quadro. Eles entram na investigação quando a história ou o exame físico sugerem uma causa diferente, como infecção ou doença inflamatória.

HLA-B27 positivo significa que tenho espondiloartrite?

Não isoladamente. O HLA-B27 é encontrado numa parte considerável da população geral que nunca vai desenvolver espondiloartrite, e sua frequência varia bastante entre grupos populacionais. Um resultado positivo aumenta a probabilidade do diagnóstico quando já existem sintomas e achados de imagem compatíveis, mas sozinho não confirma nem descarta a doença.

Continue por aqui

Referências

  1. Axial spondyloarthritis. The Lancet, 2017.
  2. The Assessment of SpondyloArthritis International Society (ASAS) classification criteria for axial spondyloarthritis. Annals of the Rheumatic Diseases, 2009.
  3. Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (NG59). National Institute for Health and Care Excellence (NICE), 2016.
  4. HLA-B27 and the pathogenesis of spondyloarthritis. UpToDate, 2023.
Última revisão
Revisão editorial
Equipe editorial Minha Coluna
Como trabalhamos
Política editorial