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Exame

Ressonância com contraste da coluna: quando é indicada

A ressonância com contraste usa gadolínio para destacar áreas de maior vascularização ou quebra da barreira normal dos tecidos. Na coluna, ajuda a diferenciar cicatriz de hérnia recidivada, identificar infecção e caracterizar tumores.

Revisado em Como produzimos o conteúdo

Vértebra de vidro com uma rede fina de canais internos acendendo em roxo e azul
Para que serve
A ressonância com contraste usa gadolínio para destacar áreas de maior vascularização ou quebra da barreira normal dos tecidos. Na coluna, ajuda a diferenciar cicatriz de hérnia recidivada, identificar infecção e caracterizar tumores.
Como é feito
O exame começa como uma ressonância comum, e em um momento da sequência o contraste à base de gadolínio é injetado numa veia do braço. Novas imagens são captadas logo em seguida, comparando o tecido antes e depois da injeção.
Duração
30 a 50 minutos, um pouco mais que a ressonância sem contraste, por causa das sequências extras
Precisa de contraste?
Sim, por definição. É a injeção de gadolínio que diferencia esse exame da ressonância comum.

Para que serve a ressonância com contraste

A ressonância com contraste é a mesma técnica da ressonância comum, com um passo adicional: a injeção de gadolínio, uma substância que se distribui pelos tecidos de forma diferente conforme a vascularização e a integridade das barreiras normais do corpo. Áreas mais vascularizadas, inflamadas ou com barreiras rompidas captam mais contraste e aparecem mais claras em sequências específicas, o que ajuda a diferenciar tipos de tecido que, na ressonância sem contraste, poderiam parecer semelhantes.

Isso resolve três perguntas clínicas específicas na coluna. A primeira aparece no pós-operatório: distinguir uma cicatriz de fibrose, esperada depois de qualquer cirurgia e que capta contraste de um jeito, de uma hérnia de disco recidivada, que capta de outro. A segunda é a suspeita de infecção na coluna, como uma espondilodiscite, em que o padrão de captação ajuda a confirmar o diagnóstico e delimitar sua extensão. A terceira é a investigação de tumores, tanto na coluna quanto na medula, em que o contraste ajuda a caracterizar a lesão e mapear até onde ela se estende.

Como é feita, na prática

O exame começa como qualquer ressonância: você deita na maca, que desliza para dentro do tubo, e as primeiras sequências são captadas sem contraste. Em um momento definido pelo protocolo, o contraste é aplicado através de um acesso venoso já instalado no braço antes do início do exame. A injeção em si não dói mais do que uma coleta de sangue comum, e uma minoria das pessoas sente uma sensação passageira de frio ou gosto metálico na boca logo depois.

Depois da injeção, novas sequências são captadas, geralmente comparando o mesmo corte antes e depois do contraste. O restante do exame segue igual ao de uma ressonância sem contraste: barulho alto e repetitivo do aparelho, necessidade de ficar imóvel durante cada sequência.

Quanto tempo leva

Uma ressonância com contraste costuma levar entre 30 e 50 minutos, um pouco mais que o exame sem contraste, por causa do tempo da aplicação e das sequências extras captadas depois dela. O acesso venoso é preparado antes do início, o que soma alguns minutos ao processo total.

Quando ela é realmente indicada

O contraste faz sentido no pós-operatório de coluna, quando há dúvida entre cicatriz e recidiva de hérnia, principalmente depois dos primeiros meses de cirurgia, quando a fibrose já está estabelecida. Também é indicado diante de suspeita de infecção, com dor associada a febre ou marcadores inflamatórios alterados no sangue, e na investigação ou no acompanhamento de tumores da coluna ou da medula.

Quando ela não é necessária

Aqui está o ponto que gera mais confusão: a grande maioria das ressonâncias de coluna pedidas por dor lombar, cervical ou ciática comum não precisa de contraste. Para ver hérnia de disco, protrusão, estenose do canal e compressão de raiz nervosa, a ressonância sem contraste já é suficiente na quase totalidade dos casos. Pedir contraste de rotina, sem uma dessas indicações específicas, aumenta o tempo do exame, o custo e a exposição ao gadolínio sem trazer informação adicional relevante.

Sobre essa exposição, vale um esclarecimento equilibrado. Pesquisas das últimas décadas mostraram que pequenas quantidades de gadolínio podem se depositar no cérebro e em outros tecidos após exposições repetidas ao longo da vida, mesmo em pessoas com os rins funcionando bem. Até agora, as formulações mais modernas de contraste não mostraram relação clara com dano clínico por esse depósito, mas isso reforça o motivo pelo qual o contraste deve ser usado quando muda a resposta clínica, não por rotina. Em pessoas com a função renal muito comprometida, existe um cuidado adicional e específico, avaliado antes de qualquer aplicação.

O que esse exame mostra, e o que não mostra

Mostra bem

  • Diferença entre fibrose cicatricial e hérnia de disco recidivada, no pós-operatório
  • Sinais de infecção na coluna, como espondilodiscite
  • Tumores e sua extensão, incluindo o grau de captação de contraste

Não mostra

  • Não mostra dor. Nenhum exame mostra.
  • Não é necessário para a grande maioria das ressonâncias de coluna pedidas por dor lombar ou ciática comum

Contraindicações e cuidados

  • Alergia grave e confirmada a contraste à base de gadolínio
  • Função renal muito reduzida, que exige avaliação cuidadosa antes do uso do contraste
  • Gravidez, exceto quando o benefício supera claramente o risco, avaliado caso a caso
  • As mesmas contraindicações da ressonância sem contraste, como certos dispositivos metálicos implantados

Perguntas frequentes

Toda ressonância de coluna precisa de contraste?

Não, e na maioria dos casos não precisa. A ressonância sem contraste já mostra muito bem disco, nervo, medula e ligamentos. O contraste entra em situações específicas, como diferenciar cicatriz de hérnia recidivada após cirurgia, investigar infecção ou caracterizar um tumor. Fora dessas situações, ele não acrescenta informação relevante e não deveria ser usado de rotina.

O gadolínio do contraste fica retido no corpo?

Estudos mostram que pequenas quantidades de gadolínio podem ficar depositadas no cérebro e em outros tecidos após exposições repetidas, mesmo em pessoas com função renal normal. Até o momento, não há evidência de que esse depósito cause dano clínico nas formulações modernas mais usadas. Em pessoas com função renal muito reduzida, o cuidado é maior, e a indicação do contraste é avaliada com mais critério.

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Referências

  1. ACR Manual on Contrast Media. American College of Radiology, 2023.
  2. Gadolinium deposition in the brain: summary of evidence and recommendations for a way forward. The Lancet Neurology, 2017.
  3. Postoperative spine: MRI evaluation, including contrast-enhanced imaging. American Journal of Neuroradiology, 2014.
  4. ACR Appropriateness Criteria – Low Back Pain. American College of Radiology, 2021.
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