Espondilolistese: o que é, causas, sintomas e tratamento
Espondilolistese é o deslizamento de uma vértebra para frente em relação à vértebra logo abaixo dela.
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O que é
Espondilolistese é o deslizamento de uma vértebra sobre a vértebra logo abaixo dela, geralmente na região lombar baixa, nos níveis L4-L5 ou L5-S1. O grau do deslizamento é classificado de I a IV, segundo a escala de Meyerding, sendo o grau I, com deslizamento de até 25%, o mais comum e o menos preocupante na maioria dos casos.
O termo costuma gerar bastante ansiedade porque soa como se a coluna estivesse saindo do lugar, mas grande parte dos casos de grau leve é estável e compatível com uma vida normal, incluindo prática esportiva, desde que acompanhada adequadamente.
Existe ainda uma diferença importante entre listese e lise: a espondilólise é a fratura de estresse isolada no arco vertebral, sem deslizamento associado, enquanto a espondilolistese já implica que houve, de fato, o deslocamento de uma vértebra sobre a outra. Uma pode evoluir para a outra, mas nem sempre isso acontece.
Por que acontece
Existem tipos diferentes, com causas distintas. A espondilolistese ístmica decorre de uma fratura de estresse numa parte específica do arco vertebral, a pars interarticularis, geralmente em jovens atletas que praticam esportes com hiperextensão repetida da coluna, como ginástica, balé e levantamento de peso. Quando essa fratura não consolida, a vértebra perde parte de sua ancoragem posterior e tende a deslizar para frente ao longo do tempo.
A espondilolistese degenerativa, mais comum em adultos acima de 50 anos, resulta do desgaste das facetas articulares e dos discos, que perdem a capacidade de manter as vértebras alinhadas. É mais frequente em mulheres e costuma vir acompanhada de estenose do canal, já que o deslizamento reduz ainda mais o espaço disponível para os nervos.
Existem ainda formas menos comuns, como a espondilolistese traumática, causada por fratura aguda de alta energia, e a patológica, quando uma doença óssea de base fragiliza a estrutura que sustenta a vértebra no lugar. Ambas são bem menos frequentes do que as formas ístmica e degenerativa.
Como se manifesta
Muitos casos de espondilolistese leve são assintomáticos, descobertos por acaso em exames de imagem feitos por outros motivos. Quando há sintomas, o mais comum é dor lombar mecânica, que piora com extensão da coluna e atividades como ficar muito tempo em pé.
Quando o deslizamento é maior ou comprime estruturas nervosas, surgem sintomas de compressão radicular, com dor irradiando para a perna, formigamento ou fraqueza, seguindo o padrão de uma ciática. Em jovens atletas com a forma ístmica, a dor lombar costuma piorar especificamente durante a extensão da coluna, como ao arquear as costas em determinados movimentos esportivos.
Diagnóstico
Raio-X de coluna lombar em perfil, incluindo incidências em flexão e extensão, confirma o deslizamento e permite avaliar se há instabilidade, ou seja, se a vértebra se movimenta de forma anormal entre essas posições. O grau de deslizamento é medido nesse exame.
Ressonância magnética é indicada quando há sintomas neurológicos, para avaliar o grau de compressão sobre as raízes nervosas ou o canal vertebral. Em jovens atletas com suspeita de espondilólise, tomografia computadorizada de alta resolução ou cintilografia óssea podem identificar a fratura de estresse antes mesmo que ela apareça claramente no raio-X.
Tratamento
O tratamento conservador é a primeira escolha na maioria dos casos: fisioterapia com foco em estabilização do core, modificação temporária de atividades que exigem hiperextensão, e analgesia para controle da dor. Em jovens com espondilólise aguda, um período de afastamento esportivo, às vezes com uso de colete, favorece a consolidação da fratura de estresse.
A cirurgia entra em cena quando há dor incapacitante que não responde ao tratamento conservador, deslizamento progressivo e instável, ou sintomas neurológicos significativos por compressão associada. Costuma envolver descompressão dos nervos comprimidos e fusão vertebral, para estabilizar o segmento. Estudos comparando tratamento cirúrgico e conservador em espondilolistese degenerativa com estenose associada mostram, de forma consistente, melhores resultados funcionais com a cirurgia nos pacientes que não respondem ao manejo inicial, o que ajuda a orientar essa decisão quando ela se torna necessária.
Quando procurar avaliação
Dor lombar persistente em adolescente atleta, especialmente se piora com extensão da coluna, merece avaliação para descartar espondilólise. Em adultos, sintomas de irradiação para a perna, fraqueza ou alteração no funcionamento da bexiga e intestino associados a dor lombar são sinais de que a avaliação não deve esperar.
Resumo da condição
Sintomas frequentes
- Dor lombar mecânica que piora com extensão da coluna
- Dor irradiada para a perna quando há compressão nervosa
- Formigamento ou fraqueza associados
- Muitos casos leves são assintomáticos
O que costuma causar
- Espondilolistese ístmica, por fratura de estresse na pars interarticularis
- Espondilolistese degenerativa, por desgaste de facetas e discos
Exames usados
- Raio-X de coluna lombar em perfil, com incidências em flexão e extensão
- Ressonância magnética quando há sintomas neurológicos
- Tomografia ou cintilografia óssea em suspeita de fratura de estresse
Caminhos de tratamento
- Fisioterapia com estabilização do core
- Modificação temporária de atividades com hiperextensão
- Colete em jovens com espondilólise aguda
- Cirurgia de descompressão e fusão em casos instáveis ou sintomáticos
Níveis da coluna envolvidos
Perguntas frequentes
Espondilolistese grau 1 é grave?
Geralmente não. O grau 1, com deslizamento de até 25%, costuma ser estável e compatível com vida ativa e prática esportiva, desde que acompanhado adequadamente.
Espondilolistese pode piorar com o tempo?
Pode, especialmente a forma degenerativa em adultos ou quando há instabilidade confirmada nas incidências de flexão e extensão do raio-X. Por isso o acompanhamento periódico é recomendado.
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Referências
- Degenerative lumbar spondylolisthesis. The New England Journal of Medicine, 2016.
- Spondylolysis and spondylolisthesis. AAOS OrthoInfo, 2022.
- Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (NG59). NICE, 2020.
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