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Exame

Cintilografia óssea: para que serve na investigação da coluna

A cintilografia óssea mapeia a atividade metabólica do osso em todo o esqueleto. Na coluna, ajuda a identificar fraturas ocultas, infecção, fratura por insuficiência e possíveis metástases, mostrando onde o osso está mais ativo.

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Para que serve
A cintilografia óssea mapeia a atividade metabólica do osso em todo o esqueleto. Na coluna, ajuda a identificar fraturas ocultas, infecção, fratura por insuficiência e possíveis metástases, mostrando onde o osso está mais ativo.
Como é feito
É aplicada uma pequena quantidade de material radioativo numa veia do braço e, depois de um período de espera de algumas horas, você deita numa maca enquanto uma câmera especial capta imagens de todo o corpo ou de uma região específica. Não há dor durante a captura das imagens.
Duração
As imagens levam de 30 a 60 minutos, mas o exame completo dura de 3 a 4 horas por causa do tempo de espera após a injeção
Precisa de contraste?
Não usa contraste iodado nem à base de gadolínio. Usa um marcador radioativo aplicado na veia, que funciona de forma diferente de um contraste convencional.

Para que serve a cintilografia óssea

A cintilografia óssea usa uma pequena quantidade de material radioativo, aplicado na veia, que se concentra mais nos pontos do esqueleto onde o osso está metabolicamente mais ativo. Uma câmera especial capta essa distribuição e forma um mapa de todo o esqueleto, ou de uma região específica, mostrando onde a atividade óssea está acima do esperado.

Na coluna, isso é útil de formas específicas: detectar uma fratura que ainda não aparece no raio-X, encontrar sinais de infecção óssea, avaliar a extensão de uma doença que já se sabe afetar os ossos, como um câncer com potencial de se espalhar para o esqueleto, e identificar fraturas por insuficiência, aquelas que acontecem em osso fragilizado, como na osteoporose, sem um trauma proporcional que as explique.

O que a imagem realmente mostra

Vale entender a diferença entre esse exame e uma ressonância ou tomografia. Elas mostram anatomia: a forma, o tamanho, a posição das estruturas. A cintilografia mostra atividade metabólica, um processo, não uma forma. Um ponto de hipercaptação diz que ali o osso está reagindo a alguma coisa, seja uma fratura em consolidação, uma inflamação, uma infecção ou um tumor. A imagem sozinha não diz qual dessas é a causa.

Por isso hipercaptação não é sinônimo de tumor, apesar de essa ser uma preocupação comum de quem recebe esse resultado. Artrose facetária, uma fratura antiga em consolidação e uma infecção também aparecem como área de maior atividade. A interpretação certa depende de cruzar o achado com a história clínica, a localização exata e, na maioria das vezes, com um exame de imagem anatômico complementar.

Como é feita, na prática

O exame tem duas etapas separadas por um intervalo de tempo. Na primeira, uma pequena quantidade de material radioativo é injetada numa veia do braço, um procedimento rápido, parecido com uma coleta de sangue comum. Depois, há um período de espera, geralmente entre duas e quatro horas, para que o marcador se distribua pelo esqueleto e se concentre nas áreas de maior atividade óssea.

Na segunda etapa, você deita numa maca enquanto uma câmera especial, chamada gama-câmera, passa lentamente sobre o corpo, captando a radiação emitida pelo marcador já fixado no osso. Não há dor durante essa parte, apenas a necessidade de ficar parado por alguns minutos em cada posição. Quando disponível, o exame pode ser complementado por SPECT/CT, uma tecnologia que combina o mapa de atividade da cintilografia com cortes de tomografia da mesma região, dando mais precisão anatômica ao ponto encontrado.

Quanto tempo leva

Contando a injeção, o tempo de espera e a captura das imagens, o exame completo costuma ocupar de três a quatro horas do seu dia, embora a parte ativa, com você parado sob a câmera, dure entre 30 e 60 minutos. É comum a pessoa sair do serviço durante o período de espera e retornar depois.

Quando é realmente indicada

A cintilografia óssea faz sentido quando há suspeita de fratura que o raio-X não conseguiu confirmar, quando há histórico de câncer e a dor levanta a possibilidade de doença óssea metastática, em quadros sugestivos de infecção óssea e em fraturas por insuficiência em ossos fragilizados por osteoporose. Também é usada, com menos frequência, para avaliar dor persistente após cirurgia de coluna, quando se quer saber se determinado nível ainda está biologicamente ativo.

Quando ela não é a escolha certa

Para a investigação inicial de uma dor lombar ou cervical comum, sem suspeita de câncer, infecção ou fratura oculta, a cintilografia não tem papel nenhum. Ela não mostra disco, não mostra nervo comprimido e não substitui a ressonância nesse tipo de avaliação. Um resultado positivo também raramente encerra a investigação sozinho: na maioria dos casos, ele abre caminho para um exame anatômico complementar que vai dizer, de fato, o que está causando aquela atividade aumentada.

O que esse exame mostra, e o que não mostra

Mostra bem

  • Áreas do osso com atividade metabólica aumentada, sugestivas de fratura recente, infecção ou lesão óssea
  • Fraturas ocultas que ainda não aparecem no raio-X, incluindo fraturas por insuficiência
  • Extensão de uma doença óssea pelo esqueleto inteiro, numa única sessão

Não mostra

  • Não mostra dor. Nenhum exame mostra.
  • Não mostra a anatomia fina da lesão: uma área de hipercaptação precisa de tomografia ou ressonância para ser caracterizada
  • Não diferencia sozinha uma causa benigna de uma maligna: hipercaptação óssea não é sinônimo de tumor

Contraindicações e cuidados

  • Gravidez, pela exposição à radiação do marcador
  • Amamentação, que costuma exigir pausa temporária após o exame
  • Exame de contraste com bário recente, que pode interferir na leitura das imagens

Perguntas frequentes

Cintilografia óssea é perigosa por causa da radioatividade?

A dose de radiação do marcador usado é considerada baixa, e ele perde a radioatividade rapidamente, sendo eliminado do corpo principalmente pela urina nas horas seguintes ao exame. Beber bastante água depois ajuda nesse processo. Grávidas e lactantes precisam de orientação específica antes de fazer o exame.

Uma área de hipercaptação na cintilografia significa câncer?

Não necessariamente. Hipercaptação indica apenas que aquele ponto do osso tem atividade metabólica aumentada, o que acontece em fraturas, artrose, infecção e também em tumores. Por isso um achado positivo quase sempre precisa de um exame complementar, como tomografia ou ressonância, para esclarecer a causa.

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Referências

  1. ACR Appropriateness Criteria – Metastatic Bone Disease. American College of Radiology, 2020.
  2. Bone scintigraphy: procedure and interpretation. UpToDate, 2023.
  3. SPECT/CT in imaging of spinal disorders. American Journal of Neuroradiology, 2014.
  4. Radionuclide bone scintigraphy in the evaluation of occult and stress fractures. American Journal of Roentgenology, 2006.
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