Mielotomografia: quando a ressonância não pode ser feita
A mielotomografia combina a injeção de contraste no líquido que envolve a medula com a tomografia computadorizada, mostrando o canal vertebral, a medula e as raízes nervosas com boa definição. É usada quando a ressonância magnética não pode ser feita.
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- Para que serve
- A mielotomografia combina a injeção de contraste no líquido que envolve a medula com a tomografia computadorizada, mostrando o canal vertebral, a medula e as raízes nervosas com boa definição. É usada quando a ressonância magnética não pode ser feita.
- Como é feito
- Um médico realiza uma punção lombar, semelhante à de uma anestesia raquidiana, e injeta contraste iodado diretamente no espaço que envolve a medula. Em seguida, você é levado para a tomografia, que capta as imagens enquanto o contraste ainda está distribuído no canal vertebral.
- Duração
- 45 a 90 minutos, somando a punção e a tomografia
- Precisa de contraste?
- Sim. O exame depende de contraste iodado injetado diretamente no espaço ao redor da medula, por punção.
Para que serve a mielotomografia
A mielotomografia combina duas técnicas em sequência: uma punção lombar, para injetar contraste iodado diretamente no espaço que envolve a medula espinhal e as raízes nervosas, seguida de uma tomografia computadorizada, que capta as imagens enquanto o contraste ainda está distribuído nesse espaço. O resultado é uma imagem que mostra bem o contorno do canal vertebral, da medula e das raízes nervosas, algo que a tomografia sozinha, sem contraste no canal, não consegue mostrar com a mesma clareza.
Ela não nasceu para competir com a ressonância. Nasceu antes dela e, hoje, é reservada para os casos em que a ressonância não é uma opção, seja por um dispositivo implantado incompatível, seja por artefato metálico de cirurgia anterior. Em ambos os cenários, a mielotomografia entra como alternativa capaz de responder perguntas parecidas com as da ressonância, usando um caminho tecnicamente diferente.
Como é feita, na prática
Você deita de lado ou senta, dependendo do serviço, numa posição que abre o espaço entre as vértebras lombares. A pele é limpa e anestesiada localmente, e um médico insere uma agulha fina na região lombar, no mesmo tipo de acesso usado numa anestesia raquidiana, até alcançar o espaço ao redor da medula. Por essa agulha, o contraste iodado é injetado lentamente.
Depois da punção, você é levado para a sala de tomografia, geralmente inclinado ou posicionado de forma a deixar o contraste se espalhar pela região de interesse antes da captura das imagens. A parte da tomografia em si é rápida e sem dor. É comum ficar em observação por um período depois do procedimento, muitas vezes deitado, antes de ir para casa.
Quanto tempo leva
Somando a preparação, a punção e a tomografia, o procedimento completo costuma levar entre 45 e 90 minutos, variando conforme o serviço e a região da coluna avaliada. A isso se soma, na maioria dos protocolos, um período de observação depois do exame, que pode durar de trinta minutos a algumas horas.
Quando é realmente indicada
A mielotomografia entra em cena quando a ressonância magnética está contraindicada ou é tecnicamente inviável: em pessoas com certos marca-passos, neuroestimuladores ou outros dispositivos implantados não compatíveis com o campo magnético, ou em coluna já operada, com placas, parafusos ou hastes metálicas que geram tanto artefato na ressonância que a imagem perde utilidade diagnóstica. Também é usada quando o objetivo é avaliar de forma dinâmica o espaço disponível para o líquido ao redor da medula, uma informação que interessa em alguns planejamentos cirúrgicos.
Uma palavra sobre ser invasiva
Diferente dos outros exames de imagem da coluna, a mielotomografia exige um procedimento invasivo: a punção lombar. Isso significa risco de dor de cabeça depois do exame, mais comum em pessoas mais jovens, que costuma melhorar com repouso deitado, hidratação e analgesia simples nos dias seguintes, mas que numa minoria dos casos pode ser mais intensa e exigir avaliação médica. Existe também, como em qualquer punção, um risco pequeno de infecção ou sangramento no local, e reação ao contraste iodado usado.
Por isso ela não é escolhida por preferência, e sim por necessidade, quando as alternativas não conseguem responder à pergunta clínica. Antes de indicar o exame, o médico avalia se a informação que ele traz realmente muda a conduta, porque o procedimento tem um custo em desconforto e risco que a ressonância, quando disponível, não tem.
Quando ela não é necessária
Se a ressonância magnética é uma opção viável, ela costuma ser preferida, por ser tão ou mais informativa para a maioria das perguntas clínicas sem exigir punção nem radiação. A mielotomografia não deveria ser o primeiro exame pedido para investigar uma hérnia de disco ou uma dor lombar comum enquanto a ressonância ainda é uma alternativa disponível.
Antes de agendar o procedimento, vale confirmar com o médico solicitante se realmente não existe nenhuma forma de viabilizar a ressonância, incluindo aparelhos com protocolos específicos para determinados implantes. Só depois de esgotada essa possibilidade a mielotomografia se justifica como caminho seguinte.
O que esse exame mostra, e o que não mostra
Mostra bem
- O contorno do saco dural, da medula e das raízes nervosas dentro do canal vertebral
- Estenose do canal vertebral e compressões que reduzem o espaço disponível para o contraste
- Detalhe ósseo fino, próprio da tomografia, combinado à informação do canal
Não mostra
- Não mostra dor. Nenhum exame mostra.
- Não mostra o interior do disco ou da medula com o mesmo detalhe de tecido mole que a ressonância
Contraindicações e cuidados
- Alergia grave e confirmada a contraste iodado
- Infecção de pele no local da punção
- Distúrbios de coagulação não corrigidos ou uso de certos anticoagulantes
- Aumento da pressão intracraniana, avaliado antes do procedimento
Perguntas frequentes
Mielotomografia dói?
A punção lombar envolve uma agulha fina inserida na região lombar, com anestesia local antes, o que reduz bastante o desconforto. A maioria das pessoas sente uma pressão passageira, não dor intensa. Depois do procedimento, algumas pessoas sentem dor de cabeça, que costuma melhorar com repouso deitado e hidratação.
Por que fazer mielotomografia em vez de ressonância?
Ela é reservada para quando a ressonância não pode ser feita: por exemplo, em quem tem um dispositivo implantado incompatível com o campo magnético, ou em coluna operada com muito material metálico, que gera artefato e prejudica a leitura da ressonância. Fora dessas situações, a ressonância continua sendo a primeira escolha, por ser tão informativa quanto e não exigir punção.
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Referências
- ACR–ASNR–SPR Practice Parameter for the Performance of Myelography and Computed Tomography Myelography. American College of Radiology, 2021.
- Myelography and CT myelography. UpToDate, 2023.
- Post-dural puncture headache: pathogenesis, prevention and treatment. British Journal of Anaesthesia, 2003.
- ACR Appropriateness Criteria – Myelopathy. American College of Radiology, 2021.
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